Bispo Anderson Caleb | Até que a política nos separe?


(Foto: Bigstock)

Um alerta para que opções políticas ou a busca pelo poder não afaste bons amigos.

Foi Aristóteles que, no livro “Política”, pela primeira vez chamou o homem de “Zoon politikon”, “animal político”, ele disse: “O homem é um animal político”. Já o compositor Leandro Bahiah radicalizou e afirmou: “O que Deus, a política separa”.

Você conhece um amigo ou parente que se afastou do outro por causa da política? De um amigo político?  Da disputa de um cargo ou posição?  

Com certeza sim, eu também conheço.

Pessoas maravilhosas foram afetadas, desconstruídas, azedadas e envenenadas pela sede de poder, pela política, principalmente a política eclesiástica.

Mas não precisa ser assim. Isso é sinal de fraqueza de caráter, da ausência de um chamado forte e de uma amizade superficial e plástica, ou mesmo falta de Deus no coração. Um coração cheio de si e do "EU".

ATÉ NA BÍBLIA? 

SIM.

Casos bíblicos em que e paixões políticas afastaram pessoas.

Então, vejamos:

1. Absalão se rebelou contra Davi, e por quê? Ele queria o trono do próprio Pai. 

2. Saul também perseguiu Davi, o seu genro. Ele queria matá-lo por questões políticas e medo de perder o poder.

3. Abimeleque, por questões de poder e política, mata setenta irmãos de sangue e se declara Rei, só Jotão consegue fugir (Juízes 9).

4. Herodes, em Mateus 2, manda matar as criancinhas de dois anos para baixo, por medo de perder o trono. Motivações políticas estiveram por trás de diversos crimes bárbaros. Inclusive entre irmãos. A sede de poder cega mesmo.

5. Diótrefes, que não recebia os apóstolos, falava mal de sua liderança, pois amava e queria muito a “primazia”, a posição, o poder (3 João 1.9).

Enfim, são muitos. Em nosso sistema episcopal, cheio de cargos, funções, estruturas hierarquias, precisamos saber lidar com isso.

1. Não deixar subir à cabeça a função. Afinal, cargos são transitórios.

2. Manter seu foco no chamado, na missão. Eu estou Bispo. Mas sou pastor e crente.

3. Não olhar para colegas como concorrentes, mas parceiros. Quando vier a jubilação precisamos continuar amigos. Tudo vai passar. Mas se nos "mordermos", por causa do poder, como será amanhã?

4. Por último não olhe para um colega ou líder apenas como um trampolim. Que cada amizade possa ser por quem somos, e não pelo título que ostentamos.

Vem um Concílio Geral. Vamos vigiar. Vamos entregar para Deus o futuro da igreja. Não deixemos que partidarismos, preferências, nos afastem uns dos outros. Rejeite quaisquer posturas, fofocas que te levem a se afastar ou rotular pessoas.

E por fim, não me importa se você é de direita ou esquerda, somos um em Cristo. Nossa pátria é celestial. Mais céu e menos terra! Ou será que algum salvador do Brasil vai impedir o cumprimento das profecias? Sim, sou cidadão, voto e opto pela democracia, pela família e por Deus. Mas nada pode me separar do meu irmão, do meu compatriota celestial.


 

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