Bispo Roberto Amaral | Um raio de esperança


(Foto: Getty Images)

A constante divulgação do número de mortes causadas por esta pandemia parece promover um certo arrefecimento em nosso sentimento de pesar e de comoção. Vai se tornando rotina o fato de se tomar conhecimento pelas redes sociais do falecimento de pessoas direta e indiretamente ligadas a nós. O distanciamento e o protocolo que impede a realização de velórios parecem influenciar nesta mudança de reação e do enfrentamento de um fato, antes considerado inédito, que provocava espanto e consternação, mas que agora parece que vai se tornando corriqueiro. 

Não faz muito tempo eu afirmei que esta crise tinha a característica de ser reveladora. Uma destas revelações é a da condição e do grau da nossa humanidade. Estamos nos tornando mais humanos ou menos humanos? Sabemos que a morte mexe com a sensibilidade do ser humano, toca as suas emoções. Do ponto de vista cristão, a morte é uma manifestação de juízo. Segundo a Bíblia, o homem não foi criado para morrer. A morte sempre será um elemento estranho. Em condições normais, nunca será objeto de desejo da criatura humana. Ela é resistida numa luta onde os homens estão geralmente dispostos a dar tudo que têm para não sucumbir a ela. O pior da morte não é o fato de poder nos arrebatar deste mundo, nos separar de nossos familiares e amigos, mas sim o caso de que, a ela segue-se inexoravelmente o juízo divino. Somente os que estão em Cristo estão guardados desta terrível sentença divina. Sim, ao pensar na tragédia que segue a morte de um homem sem Cristo, seja ele pobre ou rico, indouto ou intelectual, simples ou famoso, deveríamos chorar por tão grande perda. E mais, deveríamos nos debruçar em arrependimento diante de Deus por nada ter feito em função de levar os perdidos a conhecer a Cristo. Estamos no meio de uma tragédia de proporções ainda não imaginadas. Pessoas estão morrendo como moscas, longe de amigos, longe dos pais, dos filhos e dos irmãos. Gostaria que pensasse nisso, ao invés de somente lamentar ou discutir se devemos ou não ser solidário à morte de uma pessoa sem Cristo. Pois eu vos digo, como ser humano que somos, não somente devemos mostrar solidariedade na morte de uma pessoa, mas como filhos de Deus, devemos fazer mais. Vamos evangelizar; vamos compartilhar do amor de Cristo. Em meio a tanta dor e choro, haverá sempre alguém esperando para conhecer o amor e a graça de Deus revelados em Cristo Jesus. 

Estamos testemunhando um alarmante número de mortes nesta pandemia. Este número engloba também o passamento de muitos de nossos queridos, nossos irmãos e irmãs. Quanto a esses, peço a Deus em minhas orações que nos console e nos fortaleça com esperança que brota da fé, pois, sabemos que estão com o Senhor. E quanto aos que perecem, que Deus nos desperte pelo seu Espírito para que nos empenhemos neste tempo sombrio, neste vale da sombra da morte, em compartilhar com o mundo a luz do evangelho que pode salvar e dar vida eterna. 

Bispo Roberto Amaral

 

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