Vacinação de crianças cai 20% em 2020 por conta da pandemia
Números preocupam especialistas, uma vez que doenças erradicadas pela vacinação correm o risco de voltar
Redação CPIMW
03 de Fevereiro de 2021

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Nunca se falou tanto sobre vacinação como na pandemia da covid-19, mas na prática, cada vez menos pais estão levando seus filhos para serem vacinados, e a situação piorou em 2020. A meta de imunização anual é vacinar 95% das crianças no Brasil, mas de acordo com dados do Ministério da Saúde, o número não passou de 72% no último ano — 19,3% abaixo do esperado.

Desde 2015, quando a cobertura das nove principais vacinas indicadas a essa faixa etária atingiu 97%, a vacinação de crianças tem ficado abaixo da meta. Em 2016, foi de 88%; no ano seguinte, 87%. Depois, em 2018, uma ligeira alta, mas ainda sem ser o ideal: 90%; e em 2019, a média de vacinação não passou de 83%.

Em 2019, apenas uma vacina atingiu a meta: a tríplice viral D1, que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola. No ano passado, nenhuma delas chegou lá. A que mais se aproximou foi a pneumocócica (contra pneumonia), com 77,8% de cobertura. A de hepatite B foi a que mais caiu: fechou o ano de 2020 em 59,1%.

O Ministério da Saúde fala que os dados de coberturas vacinais de 2020 ainda “são preliminares” e só estarão consolidados em 2021. 

A redução do número de crianças vacinadas não é um problema exclusivo do Brasil, conforme alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade chamou atenção para o fato de a pandemia ter afetado a vacinação em pelo menos 68 países, colocando em risco 80 milhões de bebês. Além do Brasil, Venezuela, Bolívia e Haiti foram alguns países da América Latina citados pela OMS onde a vacinação tem caído nos últimos anos.

O perigo da baixa vacinação é o ressurgimento de doenças antes erradicadas, como o surto de sarampo que houve no país em 2018. Foram 10 mil casos no país na ocasião. Ano passado, o Brasil confirmou 8.442 registros dessa doença.

E especialistas alertam que doenças muito piores, como a poliomielite (ou paralisia infantil) e difteria. “O retorno dessas enfermidades seria dramático porque, sem a cobertura vacinal de base, doenças muito piores para as crianças do que a covid-19 podem voltar”, declara Marco Safadi, presidente do departamento de imunização da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

E não foi apenas a vacinação entre crianças que diminuiu. A pesquisa da Heads In Health, empresa focada em análise de dados para saúde, revelou que a cobertura vacinal no ano passado, incluindo todas as idades, caiu 8,58% se comparada ao mesmo período de 2019. 

Os maiores de 60 anos, por exemplo, representaram apenas 15% de quem se vacinou contra o Influenza (a gripe comum), contra 45% um ano antes. 

Em nota, o Ministério da Saúde disse que "a circulação de notícias falsas, o medo de eventos adversos e a sensação de segurança decorrente da eliminação de doenças são fatores que vêm contribuindo para a queda das coberturas vacinais no Brasil”.

(Fonte: UOL)

 

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