De quanta terra um homem precisa
O Espírito Santo oferece o equilíbrio necessário, sua ação produz temperança em nossa vida
Redação CPIMW
11 de Setembro de 2020

(Foto: Haykirdi)

A relação entre dinheiro e felicidade é uma combinação nem sempre possível. O conto que você lerá abaixo é do célebre escritor russo Leon Tolstói (How much land does a man need?), que li no livro Finanças Comportamentais, de Macedo Jr, Kolinsky e Morais (2011). Conta a saga de Pakhom, um camponês russo que vivia com a família em uma pequena fazenda e que dividia com os vizinhos o pasto para os animais.

Um dia, a esposa dele recebe a visita da irmã, que conta as maravilhas da cidade, ela critica a miséria em que vive a anfitriã. Incomodada, a esposa de Pakhom passa desdenhar a vida na cidade e a defender o modo de vida camponês. O marido, que escutava a conversa, diz a certa altura que, se tivesse mais terras, nem o diabo poderia com ele.

Segundo uma antiga lenda russa, o diabo sempre escolhe a chapa do fogão de alguma casa para passar a noite. Naquela noite, ele estava na casa de Pakhom e, ao ouvir as palavras, resolve aceitar o desafio.

A partir daquele dia, o camponês passa a multiplicar suas terras e ganha uma prosperidade sem precedentes. Recebe, então, de um desconhecido, a notícia de que os povos Bashkirs, que viviam em um lugar distante, vendiam excelente terra a um preço baixo. Pakhom vende seus bens e, com a ajuda de um criado, empreende uma longa viagem para a terra dos Bashkirs.

Ao chegar, é bem recebido pelo chefe da aldeia e, tão logo é possível, inicia a conversa sobre a compra de terras. O chefe diz que vende “um dia de terra” por um preço que o camponês podia pagar. Mas que forma era essa de medir a terra?

O chefe diz que bastava que eles fossem ao topo de uma colina antes do nascer do sol. Depois de entregar ali o valor combinado, o camponês teria o dia inteiro para marcar a terra que quisesse e esta seria sua. Mas caso não voltasse ao topo da colina antes de o sol se pôr, perderia o dinheiro e ficaria sem terra.

Antes de o sol nascer no dia seguinte, Pakhom observou lá do alto, no local combinado, as mais belas terras que jamais tinha visto. Assim que o sol nasceu, ele começou a empreender uma caminhada e a marcar com pequenos montes de terra seu novo domínio. A cada colina que vencia, via terras ainda mais bonitas, que não poderia deixar de fora.

Depois de muito caminhar, percebeu que o sol estava a pino e que era hora de voltar. Mas durante o caminho via terras importantes para compor seu patrimônio. Um belo lago, um pasto que seria perfeito para as vacas ou um vale para o cultivo de cevada. Em um dado momento, já bastante exausto, notou que o sol começava a se recolher rapidamente. Correu para chegar ao ponto inicial da caminhada.

Quando estava ao pé da colina, o sol lançava os últimos raios do dia. Desanimado, deixou-se cair prostrado ao chão. Lá do alto, os índios gritavam e o incentivavam a continuar. O sol se punha, mas os raios ainda alcançavam o topo da colina. O camponês buscou o resto de forças e se lançou a um desesperado esforço para chegar ao cume. 

Quando alcançou o destino, uma última nesga de sol ainda resistia no horizonte. Os Bashkirs comemoravam e cantavam alegres a coragem daquele homem. Pakhom, porém, via o horizonte ficar turvo. Com um filete de sangue correndo no canto da boca, caiu nos braços do chefe, que agora se parecia muito com o homem que havia lhe informado sobre as terras baratas. O valente Pakhom estava morto. O leal criado enterrou o corpo do patrão abaixo de sete palmos de terra — tudo de que ele precisava.

Se Pakhom não tivesse vontade e disposição para conquistar mais terras, teria passado a vida toda como miserável, sem poder oferecer conforto para a família. O que o fez progredir foi a vontade de ter mais terras para trabalhar, de produzir para matar a fome da família e de gerar excedentes para vender a outros. Mas a mesma força descontrolada o levou à morte.

A vontade de progredir e realizar é fundamental para a felicidade humana. Pessoas acomodadas e sem vontade de mudar a vida e o mundo tendem a não ser muito felizes. Não obstante, uma vida consumida pela loucura em ter cada vez mais é nociva. O Espírito Santo oferece o equilíbrio necessário, sua ação produz temperança em nossa vida. Lute para progredir, guarde uma parte do que você ganhar para a aposentadoria, mas não se esqueça de aproveitar a vida. Que o seu tesouro esteja no devido lugar — no Céu! (Lucas 12.33, 34)

Rev. Luiz Carlos Leite
Secretário Geral de Finanças

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